Mudanças climáticas

El Niño: por que a agricultura mundial está entrando em uma nova era de estresse hídrico?

O fenômeno El Niño pode retornar já em 2026. Associado a um clima globalmente mais quente, ele aumenta o risco de secas agrícolas, ondas de calor e irregularidade das chuvas em diversas regiões do mundo. Para os agricultores, o desafio vai além da simples variabilidade do clima: como proteger o potencial produtivo das culturas diante de uma instabilidade climática que está se tornando estrutural?

Agricultor preocupado com o El Niño

Segundo a FAO⁴, em 2024, mais de 60 milhões de pessoas foram afetadas pelos impactos climáticos associados ao El Niño. Na África Austral, cerca de 45% das áreas cultivadas com milho sofreram perdas significativas em algumas regiões. E as agências climáticas internacionais já alertam para um possível retorno do fenômeno a partir de 2026¹.

Para a agricultura, a mensagem é clara: os eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes, mais intensos e mais difíceis de prever. Secas, irregularidade das chuvas, ondas de calor e estresse hídrico passam a se consolidar como riscos estruturais para as culturas de larga escala.

El Niño: um fenômeno natural com consequências globais

El Niño é um fenômeno climático natural associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical. Ele faz parte do ciclo ENSO (El Niño Southern Oscillation), que alterna entre fases quentes (El Niño), fases frias (La Niña) e períodos neutros.

Embora esse fenômeno ocorra a milhares de quilômetros das áreas agrícolas europeias, seus efeitos são globais. Quando as temperaturas do Pacífico aumentam, os padrões climáticos se alteram: algumas regiões registram chuvas excessivas, enquanto outras enfrentam déficits hídricos prolongados.

Para a agricultura, esses desequilíbrios costumam se traduzir em períodos de seca, distribuição irregular das chuvas e estresse hídrico durante as fases críticas das culturas.

Como destaca a NOAA³: “O El Niño modifica as temperaturas e os padrões de precipitação em escala global.”

Em outras palavras, nenhuma região agrícola está totalmente isolada de suas consequências.

NOAA : National Oceanic Atmospheric Administration
“O El Niño modifica as temperaturas e os padrões de precipitação em escala global.”

Um fenômeno que se torna mais impactante em um clima mais quente

O El Niño não é um fenômeno novo. Os grandes episódios de 1997-1998, 2015-2016 e, mais recentemente, 2023-2024 já deixaram marcas significativas na agricultura mundial. O que mudou hoje é o contexto climático em que esses eventos ocorrem.

El Niño e IPCC

Segundo o IPCC⁵, cada aumento adicional da temperatura global eleva a frequência e a intensidade dos eventos extremos, como ondas de calor, secas agrícolas e irregularidade das chuvas. Embora os cientistas ainda mantenham cautela quanto a um aumento direto na frequência dos episódios de El Niño, uma coisa é certa: seus impactos são hoje amplificados pelo aquecimento global.

Milho sob intensa evapotranspiração

A WMO também destaca² que os episódios de ENSO ocorrem atualmente em uma “atmosfera e oceanos mais quentes”. Como consequência, os solos secam mais rapidamente, a evapotranspiração aumenta e as culturas entram mais cedo em situação de déficit hídrico.

Para os agricultores, isso significa uma variabilidade climática maior não apenas de uma safra para outra, mas também dentro da própria estação de cultivo.

As referências históricas tornam-se cada vez menos confiáveis. As janelas de semeadura, os períodos de chuva e os estágios mais sensíveis das culturas estão cada vez mais difíceis de prever.

Como resume a FAO⁴: “As secas agrícolas estão se tornando um dos principais riscos para a segurança alimentar global.”

FAO : Food and Agriculture Organization
As secas agrícolas estão se tornando um dos principais riscos para a segurança alimentar global.

Milho, trigo, soja e girassol: culturas diretamente expostas

O primeiro impacto do El Niño sobre as culturas geralmente está relacionado à água. Ou melhor, à sua falta.

Em muitas regiões agrícolas do mundo, o fenômeno provoca atraso das chuvas, interrupções das precipitações durante fases críticas do desenvolvimento das culturas ou temperaturas anormalmente elevadas, que intensificam o estresse hídrico.

Milho afetado pelo estresse hídrico

O milho está entre as culturas mais sensíveis ao estresse hídrico.

Durante o florescimento, apenas alguns dias de déficit hídrico podem ser suficientes para comprometer significativamente a fecundação e o enchimento dos grãos. A safra 2023-2024 na África Austral ilustrou claramente essa vulnerabilidade: na Zâmbia, quase um milhão de hectares de milho⁹ registraram perdas de produção ou rendimentos muito baixos após secas associadas ao fenômeno El Niño.

Trigo afetado pelo estresse hídrico

O trigo também não está imune a esses riscos

Os episódios de estresse hídrico durante o alongamento do colmo ou o enchimento dos grãos reduzem o número de grãos e comprometem o peso hectolítrico. Além disso, temperaturas mais elevadas aceleram o ciclo de desenvolvimento da cultura, limitando seu potencial produtivo.

Soja afetada pelo estresse hídrico

A soja e o girassol também estão expostos aos déficits hídricos

A soja apresenta uma resposta mais variável conforme a região de cultivo, mas continua sendo altamente sensível aos déficits hídricos durante o florescimento e a formação das vagens. Já o girassol, frequentemente considerado mais tolerante, também sofre perdas de potencial produtivo quando os períodos de estresse se prolongam durante a fase de enchimento dos grãos.

Além dos impactos sobre a produtividade, o El Niño também afeta os calendários agrícolas. Algumas safras começam com atraso na semeadura devido à falta de umidade suficiente no solo. Em outras situações, períodos de excesso de água e de seca alternam-se ao longo da mesma estação de cultivo.

Essa instabilidade se torna um grande desafio para o manejo agronômico.

Segundo diversos estudos internacionais, o ENSO influencia até 18% da variabilidade global dos rendimentos do milho⁷.

Esse dado demonstra o quanto os fenômenos climáticos globais influenciam diretamente o desempenho das propriedades agrícolas em todo o mundo.

Agricultor diante do fenômeno El Niño

Uma nova realidade para os agricultores: antecipar a incerteza

 

Diante dessa crescente variabilidade climática, o desafio já não é apenas maximizar a produtividade em condições favoráveis. Hoje, trata-se de preservar o potencial produtivo das culturas mesmo diante de eventos climáticos cada vez mais irregulares.

Isso exige uma evolução das estratégias agronômicas: manejo mais preciso da água, adaptação das épocas de semeadura, gestão da nutrição em condições de estresse, fortalecimento da resiliência fisiológica das plantas e antecipação dos períodos críticos do ciclo produtivo.

As soluções capazes de melhorar a eficiência no uso da água ou de apoiar as culturas diante dos estresses abióticos passam, assim, a ocupar um papel cada vez mais importante nos sistemas de produção.

Os bioestimulantes, especialmente aqueles que atuam sobre os mecanismos fisiológicos relacionados à gestão da água, tornam-se ferramentas complementares para ajudar as plantas a tolerar melhor os períodos de déficit hídrico e manter seu funcionamento em condições adversas.

Nesse contexto, o objetivo não é mais apenas produzir mais, mas produzir de forma mais estável e consistente apesar da instabilidade climática.

Como destaca a WMO²: “Os impactos climáticos estão se tornando mais severos em um mundo mais quente.”

WMO : World Meteorological Organization
Os impactos climáticos estão se tornando mais severos em um mundo mais quente.

Final do verão de 2026: um risco de estresse hídrico já identificado nas principais regiões agrícolas

As mais recentes projeções sazonais apontam para um aumento do risco de calor excessivo e estresse hídrico em diversas grandes regiões agrícolas do mundo.

Na Europa, as projeções do programa Copernicus (ECMWF)¹¹ indicam uma alta probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte da Europa Ocidental e Central entre junho e agosto de 2026. Em algumas áreas da Europa Central, Oriental e da região Mediterrânea, essa probabilidade ultrapassa localmente 60% a 70%.

Essa situação pode intensificar os déficits hídricos durante as fases mais sensíveis do milho, do girassol e da soja, especialmente durante a floração e o enchimento dos grãos. Diversas análises meteorológicas europeias também mencionam o risco da formação de uma “cúpula de calor” (heat dome), fenômeno capaz de manter massas de ar quente e seco estacionadas sobre áreas agrícolas por longos períodos.

Nos Estados Unidos, a NOAA também prevê¹² temperaturas acima da média em parte do Meio-Oeste e das Grandes Planícies durante o verão de 2026, com riscos de seca que podem afetar as lavouras de milho e soja durante seus estágios mais críticos.

Essas projeções não constituem previsões meteorológicas locais precisas. No entanto, elas ilustram uma tendência de fundo já amplamente identificada: os períodos de calor excessivo e estresse hídrico estão se tornando mais prováveis nas principais regiões produtoras do mundo, justamente nos momentos em que as culturas apresentam sua maior sensibilidade fisiológica.

Soluções do futuro para enfrentar o estresse hídrico
Adaptar-se desde agora para proteger a produtividade do amanhã

O El Niño evidencia as fragilidades da agricultura diante das mudanças climáticas. Estresse hídrico, irregularidade das chuvas e eventos climáticos extremos deixaram de ser situações excepcionais. Eles estão se tornando fatores permanentes da produção agrícola.

Para as culturas de larga escala, o desafio dos próximos anos é claro: fortalecer a resiliência dos sistemas produtivos para proteger a produtividade diante de uma variabilidade climática cada vez maior.

Na Elicit Plant, desenvolvemos soluções criadas para apoiar as culturas diante dos estresses abióticos e melhorar a eficiência fisiológica das plantas em condições climáticas cada vez mais desafiadoras.

Porque, hoje, adaptar-se já não é uma opção. É uma necessidade agronômica.

Trator de pulverização

Benefícios concretos das soluções da Elicit Plant

  • Preservação do potencial produtivo durante as fases críticas graças a uma melhor gestão do estresse hídrico

  • Melhoria da eficiência no uso da água tanto em sistemas irrigados quanto em condições de sequeiro

  • Redução da variabilidade dos resultados para ajudar a garantir a estabilidade da produção de uma safra para outra

  • Fortalecimento da resiliência fisiológica das culturas diante da recorrência dos estresses abióticos

Descubra nossas soluções para enfrentar o estresse hídrico