Transição agroecológica

Revisão Climática 2025: como os episódios de estresse hídrico estão remodelando o mapa global dos rendimentos agrícolas

2025 será lembrado como um ano de contrastes marcantes. Enquanto a Europa foi duramente atingida pelo impacto combinado do calor e dos déficits hídricos, as Américas registraram colheitas históricas. Essa forte divisão não é uma coincidência climática, mas sim o sinal de uma nova era para a agricultura global. Uma análise aprofundada de uma safra excepcional, na qual o manejo do estresse hídrico se destacou como o principal fator de desempenho.

Revisão Climática 2025: impacto do estresse hídrico na agricultura

O ano de 2025 classifica-se como o 2º ou 3º ano mais quente já registrado, de acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus. Com as temperaturas globais atingindo +1,18°C acima da média do século XX, confirma-se uma trajetória preocupante que agora afeta regiões agrícolas em todos os continentes.

Além dos recordes de temperatura, é a ocorrência repetida de ondas de calor intensas e déficits hídricos durante estágios críticos do desenvolvimento das culturas que moldou profundamente a agricultura global. Da Europa à América do Norte, passando pelo Brasil, as grandes culturas enfrentaram condições particularmente desafiadoras, com impactos contrastantes dependendo dos contextos regionais e da capacidade de adaptação.

Os números da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) são reveladores: quase 2 bilhões de pessoas vivem agora em regiões onde os rendimentos agrícolas estão diminuindo.

Para os agricultores, 2025 representa uma realidade econômica muito concreta, marcada por perdas significativas de produtividade em certas áreas e uma pressão crescente sobre os sistemas de produção.

Ano mais quente de 2025 – revisão climática

2º – 3º

Ano mais quente

desde 1900

Revisão Climática 2025: estresse hídrico

+1,18°C

Anomalia global

vs. média do século XX

Pessoas afetadas – Revisão Climática 2025

~2 bi

Pessoas afetadas

queda nos rendimentos

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Visão geral do clima e impactos por cultura

Em escala global: um ano historicamente quente

O ano de 2025 classifica-se entre os anos mais quentes desde o início dos registros instrumentais. Esse calor persistente foi acompanhado por um aumento de grandes eventos climáticos: incêndios florestais recordes na Europa, índices de extremos climáticos 58% acima da média nos Estados Unidos e padrões irregulares de chuva em vários continentes.

O que define particularmente o ano de 2025 não é tanto a intensidade absoluta desses eventos, mas sua frequência e cronologia. Ondas de calor e déficits hídricos ocorreram precisamente durante estágios críticos do desenvolvimento das culturas, amplificando significativamente seu impacto nos rendimentos finais.

Milho: uma cultura global com resultados altamente variáveis

O milho, uma das principais culturas globais, ilustra perfeitamente os contrastes de 2025 entre regiões e sistemas de produção.

Na Europa, a primavera de 2025 será lembrada como excepcionalmente seca. Quase 40% do território da União Europeia já estava em estado de alerta na primavera. A Alemanha registrou o março mais seco já medido, enquanto o Reino Unido viveu sua primavera mais quente e seca desde 1893. O verão trouxe seu próprio conjunto de desafios: o oeste, o sul e o sudeste da Europa enfrentaram condições mais secas que a média durante toda a estação.

Na França, o milho pagou o preço mais alto, com rendimentos variando entre 87,5 e 88,5 q/ha, o que representa uma queda de -8,2% em relação a 2024. Duas ondas de calor (de 19 de junho a 4 de julho, durando 16 dias, e de 8 a 18 de agosto) ocorreram precisamente durante o florescimento e o enchimento de grãos. A evapotranspiração atingiu 9 mm/dia (+4 mm em relação ao normal), enquanto os déficits hídricos ultrapassaram 150 mm nas regiões Oeste e Central. O milho de sequeiro foi particularmente afetado (~77 q/ha), com perdas de 20 a 30% em Poitou-Charentes, Pays de la Loire, Limousin, Borgonha e no Sudoeste. As necessidades de irrigação chegaram a 268 mm, ou seja, +50 mm acima da média.

No Sudeste da Europa, o Joint Research Centre confirma perdas irreversíveis. O leste da Hungria, o sul da Romênia e a Bulgária sofreram ondas de calor repetidas combinadas com escassez hídrica persistente, resultando em rendimentos bem abaixo da média dos últimos cinco anos. Alemanha, Polônia e o oeste da Hungria tiveram melhor desempenho, beneficiando-se de uma distribuição de chuvas mais favorável.

Nos Estados Unidos, apesar das condições climáticas extremas, o milho alcançou um rendimento recorde de 186,0 bushels por acre, com a produção total atingindo 16,8 bilhões de bushels (+12% em relação a 2024). Este desempenho notável destaca a eficácia da irrigação intensiva e de práticas agrícolas bem adaptadas para superar os desafios climáticos.

No Brasil, a produção aumentou 23,5%, atingindo o recorde de 141,6 milhões de toneladas, apesar das condições de La Niña e das chuvas irregulares, confirmando a forte capacidade de adaptação do setor agrícola brasileiro.

Principais conclusões:

Soja: vulnerabilidade durante o estágio de enchimento de vagens

A soja mostrou sensibilidade particular a episódios de déficit hídrico durante seu estágio crítico de enchimento de vagens.

Na França, com rendimentos de 23,7 q/ha (-9,2% vs. 2024) e uma produção total de 356.000 toneladas (-0,5%), a soja foi fortemente impactada pelo estresse hídrico de verão durante a formação das vagens.

Nos Estados Unidos, a soja alcançou um rendimento recorde de 53,0 bushels por acre, embora a produção total tenha caído ligeiramente 3%, para 4,25 bilhões de bushels, refletindo uma redução modesta na área plantada.

No Brasil, a soja estabeleceu um recorde histórico com 166,0 milhões de toneladas (+14,5%), consolidando a posição do país como o maior produtor mundial e demonstrando uma resiliência notável sob condições variáveis.

Principais conclusões:

Região Tendência 2025 Números-chave Contexto e impactos
França 📉 Queda na produtividade -9,2% de rendimento (23,7 q/ha) 356 mil t de produção (-0,5%)
  • Severo estresse hídrico no verão
  • Impacto crítico durante o enchimento de vagens
Estados Unidos 📈 Produtividade recorde 53,0 bushels/acre (recorde) Produção -3% (área)
  • Rendimento histórico apesar da redução da área plantada
  • Forte desempenho técnico
Brasil 📈 Recorde histórico +14,5% na produção 166,0 Mt
  • Consolidação como o maior produtor mundial
  • Notável resiliência sob condições variáveis

Girassol e cereais: o cronograma fez a diferença

Girassol

O girassol apresentou uma resiliência relativamente melhor. Na França, os rendimentos atingiram 21,7 q/ha (+10,7% vs. 2024), graças a uma melhor tolerância natural e a um ciclo de cultivo que evitou os períodos mais críticos. No entanto, no Sudeste da Europa, o girassol foi fortemente impactado em áreas afetadas por ondas de calor repetidas.

Cereais

Os cereais beneficiaram-se de um calendário favorável. Seu ciclo de crescimento precoce ocorreu antes dos eventos de verão mais intensos. Na França, o trigo mole atingiu 74 q/ha (+18% vs. 2024) e a cevada aumentou 12%. Em nível europeu, espera-se que a produção de trigo atinja 140,4 milhões de toneladas, um aumento acentuado em relação aos 125,5 milhões de toneladas do ano anterior, marcando um retorno aos níveis normais de produtividade após 2024.

Principais conclusões:

Cultura e Área Tendência 2025 Números-chave Contexto e fatores
🌻 Girassol França 📈 Aumento +10,7% rendimento 21,7 q/ha
  • Melhor tolerância natural
  • Ciclo de cultivo deslocado, evitando períodos críticos
🌻 Girassol Sudeste da Europa 📉 Queda Fortemente impactado
  • Área atingida por ondas de calor repetidas
  • Estresse hídrico severo
🌾 Cereais França 📈 Forte aumento Trigo mole: 74 q/ha (+18%) Cevada: +12%
  • Calendário favorável
  • Ciclo precoce concluído antes das ondas de calor de verão
🌾 Trigo Europa (geral) 📈 Aumento na produção 140,4 Mt (vs 125,5 Mt) Retorno aos níveis normais
  • Recuperação após um 2024 desafiador
  • Condições de primavera favoráveis
Estresse hídrico no milho em 2025

Compreendendo o estresse hídrico e seu impacto

Um fenômeno complexo com cronologia crítica

O estresse hídrico ocorre quando as necessidades de água de uma planta excedem o suprimento disponível, agravado por uma evapotranspiração atmosférica superior à absorção de água pelas raízes. Em 2025, a evapotranspiração atingiu níveis recordes: 9 mm/dia na França (+4 mm em relação ao normal), combinada com déficits pluviométricos superiores a 150 mm em certas áreas.

O que tornou 2025 particularmente desafiador não foi tanto a intensidade absoluta dos eventos, mas sua cronologia. Cada cultura possui fases de sensibilidade máxima:

  • Milho: florescimento e enchimento de grãos (julho–agosto) – o estresse nessas fases leva ao mau enchimento da espiga e limita o acúmulo de matéria seca.
  • Soja: florescimento e formação de vagens – a escassez de água resulta no abortamento de flores.
  • Girassol: florescimento e enchimento de aquênios – seu sistema radicular profundo, no entanto, proporciona melhor resiliência.
  • Cereais: elongação do colmo e enchimento de grãos (maio–junho) – seu ciclo precoce permitiu evitar as condições de verão mais severas.

Os impactos vão além do rendimento: períodos de enchimento de grãos encurtados, redução da eficiência fotossintética e, em alguns casos, perdas de qualidade (níveis de proteína mais baixos nos cereais).

Uma tendência global de longo prazo

Mudanças climáticas e agricultura

O ano de 2025 não deve ser visto como uma anomalia isolada, mas sim como uma ilustração de uma tendência subjacente. Um estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que os rendimentos globais de trigo seriam 10% maiores sem o impacto do aquecimento dos últimos 50 anos (Lobell & Di Tommaso, 2025).

A frequência crescente de eventos climáticos adversos não é mais uma projeção, mas uma realidade atual que afeta todos os continentes. O que a Météo France descreve como um “padrão de verão típico do clima recente” está se tornando cada vez mais comum em escala global.

Capacidade de adaptação desigual

O ano de 2025 destaca disparidades significativas na capacidade de adaptação. Os Estados Unidos e o Brasil demonstraram que sistemas agrícolas bem equipados podem manter, ou até melhorar, o desempenho apesar de condições desafiadoras. Em contraste, regiões menos equipadas sofreram impactos mais severos, com perdas de produtividade local de 20 a 30%.

Esta realidade levanta um desafio fundamental:

Como permitir que todos os sistemas de produção se adaptem à crescente variabilidade e a episódios de estresse mais frequentes?

Logo da Elicit Plant
Elicit Plant

uma resposta tecnológica a um desafio global

Nossa abordagem: fortalecer a resiliência natural

Em resposta a esta nova realidade climática global, a Elicit Plant desenvolveu uma tecnologia que estimula os mecanismos naturais de proteção das plantas, permitindo que elas mantenham a atividade metabólica e façam um melhor uso da água disponível durante períodos desafiadores.

Ratar pšenice EliGrain – Klimatski pregled 2025
Um posicionamento claro

Somos eficazes contra episódios de estresse hídrico curtos e repetidos, como os observados em 2025: ondas de calor que duram de alguns dias a algumas semanas, períodos em que a água se torna limitante, mas não totalmente ausente, e estresse ocorrido durante estágios críticos de crescimento. Não pretendemos fornecer uma solução em casos de déficit hídrico extremo e prolongado. Quando não resta água, nada cresce.



Nosso valor agregado reside nessas situações intermediárias, que estão se tornando cada vez mais comuns em todo o mundo, onde as plantas são expostas a eventos de estresse repetidos que impactam negativamente a produtividade.
Tracteur pulverisation

Benefícios concretos

Nossa tecnologia, aplicável ao milho, cereais, girassol e soja, entrega:

  • Preservação da produtividade durante períodos de estresse, protegendo o sistema fotossintético em estágios críticos
  • Uso otimizado da água disponível tanto em sistemas irrigados quanto em sistemas de sequeiro
  • Redução da variabilidade anual para ajudar a garantir a renda da propriedade agrícola
  • Adaptação a longo prazo à recorrência crescente de episódios de estresse

Enfrentando estresse hídrico recorrente?

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Especialista Elicit Plant

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Conclusão

O ano de 2025 ilustra o novo normal agrícola: episódios de calor repetidos, déficits hídricos durante estágios críticos de crescimento e aumento da variabilidade. Os números falam por si: -8 a -9% na França, -20 a -30% em certas regiões europeias, mas desempenhos recordes nos Estados Unidos e no Brasil.

O que define 2025 é menos a severidade dos extremos do que a sua repetição: ondas de calor ocorrendo no momento errado, déficits estabelecendo-se durante o florescimento e o enchimento de grãos. É precisamente nestas situações que a inovação tecnológica prova o seu valor total.

Na Elicit Plant, estamos convencidos de que o futuro reside na combinação de práticas comprovadas e inovações direcionadas. Nossa solução não substitui a água, mas fornece uma resposta concreta aos episódios de estresse curtos e repetidos que estão se tornando cada vez mais frequentes.

Porque manter a produtividade sob estas novas condições significa contribuir para a segurança alimentar global e assegurar o futuro das operações agrícolas.

Fontes

Clima Global e Europeu

  • Copernicus Climate Change Service – Destaques Climáticos Globais 2025 – climate.copernicus.eu
  • Météo France – Revisão Climática 2025 – meteofrance.fr
  • NOAA – Relatórios Climáticos Nacionais 2025 – ncei.noaa.gov
  • Joint Research Centre (JRC) – Comissão Europeia – Relatórios de seca na Europa 2025

Agricultura – França

  • ARVALIS – Relatórios técnicos sobre grandes culturas 2025 – arvalis.fr
  • Agreste (Ministério da Agricultura da França) – Relatórios de colheita 2025
  • COCERAL – Previsões de produção de cereais na Europa 2025

Agricultura – Estados Unidos

  • USDA – Relatórios de Produção Agrícola, Novembro 2025 – nass.usda.gov

Agricultura – Brasil

Estudos Científicos

  • Lobell, D.B. & Di Tommaso, S. (2025) – “A half-century of climate change in major agricultural regions” – PNAS, Vol. 122, No. 20
  • FAO – O Estado da Segurança Alimentar e Agricultura 2025

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