Milho: uma cultura global com resultados altamente variáveis
O milho, uma das principais culturas globais, ilustra perfeitamente os contrastes de 2025 entre regiões e sistemas de produção.
Na Europa, a primavera de 2025 será lembrada como excepcionalmente seca. Quase 40% do território da União Europeia já estava em estado de alerta na primavera. A Alemanha registrou o março mais seco já medido, enquanto o Reino Unido viveu sua primavera mais quente e seca desde 1893. O verão trouxe seu próprio conjunto de desafios: o oeste, o sul e o sudeste da Europa enfrentaram condições mais secas que a média durante toda a estação.
Na França, o milho pagou o preço mais alto, com rendimentos variando entre 87,5 e 88,5 q/ha, o que representa uma queda de -8,2% em relação a 2024. Duas ondas de calor (de 19 de junho a 4 de julho, durando 16 dias, e de 8 a 18 de agosto) ocorreram precisamente durante o florescimento e o enchimento de grãos. A evapotranspiração atingiu 9 mm/dia (+4 mm em relação ao normal), enquanto os déficits hídricos ultrapassaram 150 mm nas regiões Oeste e Central. O milho de sequeiro foi particularmente afetado (~77 q/ha), com perdas de 20 a 30% em Poitou-Charentes, Pays de la Loire, Limousin, Borgonha e no Sudoeste. As necessidades de irrigação chegaram a 268 mm, ou seja, +50 mm acima da média.
No Sudeste da Europa, o Joint Research Centre confirma perdas irreversíveis. O leste da Hungria, o sul da Romênia e a Bulgária sofreram ondas de calor repetidas combinadas com escassez hídrica persistente, resultando em rendimentos bem abaixo da média dos últimos cinco anos. Alemanha, Polônia e o oeste da Hungria tiveram melhor desempenho, beneficiando-se de uma distribuição de chuvas mais favorável.
Nos Estados Unidos, apesar das condições climáticas extremas, o milho alcançou um rendimento recorde de 186,0 bushels por acre, com a produção total atingindo 16,8 bilhões de bushels (+12% em relação a 2024). Este desempenho notável destaca a eficácia da irrigação intensiva e de práticas agrícolas bem adaptadas para superar os desafios climáticos.
No Brasil, a produção aumentou 23,5%, atingindo o recorde de 141,6 milhões de toneladas, apesar das condições de La Niña e das chuvas irregulares, confirmando a forte capacidade de adaptação do setor agrícola brasileiro.
Principais conclusões: